terça-feira, 31 de outubro de 2017

Paralamas apresenta novas músicas, revê sucessos e resgata temas esquecidos em ótima performance de palco. Fotos: Cleber Junior.

 O vocalista e guitarrista do Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, acomodado em seu praticável
O vocalista e guitarrista do Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, acomodado em seu praticável
Sair de uma bem-sucedida turnê em comemoração ao aniversário de 30 anos de estrada que durou mais de cinco anos, e recomeçar outra com material inédito não é para qualquer um, e o Os Paralamas do Sucesso – doravante denominado apenas como Paralamas - encara a empreitada com a valentia que lhe é peculiar. Porque a banda não só inclui seis músicas do novo álbum no repertório do novo show, mas desencrava faixas quase esquecidas de seu cancioneiro, antes deixadas de lado, mas que funcionam muito bem ao vivo. A todo, o grupo tocou 29 músicas em cerca de 1h40 de show na noite do ultimo sábado (28/10), e, a julgar pela reação do público que encheu o Vivo Rio, eis aí mais uma vitória de uma banda que premonitoriamente tem o sucesso acoplado ao próprio nome.

O show tem cenário próprio com três telões gigantes atrás dos músicos onde são exibidas imagens da apresentação e de fases antigas do trio, dependendo de cada uma das músicas. A iluminação, também bolada para cada música/fase do show, tem ótimo efeito, sobretudo quando se concentra sobre a bateria de João Barone, que, assim como na turnê anterior, segue montada na frente do palco, alinhada com o praticável de Herbert Vianna, vocal e guitarra, à esquerda, e do baixista Bi Ribeiro. No fundo do palco, o tecladista João Fera e a dupla Monteiro Jr. (saxofone) e Bidu Cordeiro (trombone) garantem o arranjo encorpado em várias das músicas. Com essa paisagem de palco, a banda emenda um número atrás de outro, percorrendo quase todos os álbuns, a despeito da ênfase em “Sinais do Sim”, o tal disco novo, que saiu em agosto.

O trio cuja formação já mira os 40 anos: Herbert, o baterista João Barone e o baixista Bi Ribeiro
O trio cuja formação já mira os 40 anos: Herbert, o baterista João Barone e o baixista Bi Ribeiro


O repertório é concatenado de modo a salpicar sucessos inabaláveis entre as músicas novas e as redescobertas, ainda que esses dois grupos se confundam um pouco, e tudo funciona muito bem. Por isso o público, distribuído em mesas e cadeiras, na parte da frente, e de pé, atrás, numa disposição incomum para um show de rock, já se assanha com a dobradinha “Meu Erro”/“Lourinha Bombril”, logo na parte inicial. É de impressionar ainda hoje a fantástica linha de baixo de Bi Ribeiro, e a entrada dos metais enlouquece o público pra valer. A fusão de “Selvagem” com “O Beco”, outra com o groove pulando no peito, também cativa o público. A música faz parte de espécie de trilogia retratista da violência urbana bem percebida por Herbert em fases distintas da banda, que inclui também o “Calibre” e a filosófica/pessoal “Medo do Medo”. Esta última, uma das que estão no CD novo, é assinada pela rapper portuguesa Capicua, e realça a frase definitiva para a realidade brasileira: “Eles têm medo de que não tenhamos medo…”

Outras das novas que se destacam são a faixa-título, “Sinais do Sim”, música calma que ganhar um perturbador encerramento do cobra João Barone, o que seria uma constante durante o show, e a aliterante “Itaquaquecetuba”, prima distante de “O Rabicho do Cachorro Rabugento”, que, aliás, bem poderia aparecer em um ou outro show. Vacilo ter deixado a deliciosamente enguitarrada “Contraste”, também do disco novo, de fora. Talvez funcionasse melhor que “Teu Olhar”, por exemplo, que até deu uma esfriada no bis. Entre as redescobertas, por assim dizer, mataram a pau “Saber Amar”, que hoje é tema de comercial de banco, gravada no controverso “Vamo Batê Lata”, de 1995, por causa da emblemática “Luis Inácio (300 Picaretas)”; “Capitão de Indústria”, dos irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle, com Herbert debulhando a guitarra; e “Busca Vida”, encerrada por uma delirante performance de Barone. As duas últimas são do álbum “Nove Luas”, de 1996.

O ótimo baterista João Barone, garantia de grandes arranjos instrumentais no Paralamas do Sucesso
O ótimo baterista João Barone, garantia de grandes arranjos instrumentais no Paralamas do Sucesso


O público, contudo – e é para isso que servem os grandes sucessos – se joga pra valer, deixando as cadeiras empecilhantes de lado, na matadora sequência final que inclui “Ska”, e o telão mostra imagens ado personagem da capa de “O Passo do Lui”, de 1984; “Vital e Sua Moto”, que cita “Every Breath You Take”, do Police, eterna inspiração; e “Alagados’ pioneira dos ritmos paraenses no Sudeste, com citação a “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas. Antes, “Lanterna dos Afogados” e “Caleidoscópio”, juntas, já tinham causado fortes emoções, sobretudo esta última, finalizada com grande performance instrumental do trio e mais um belo solo de Herbert. Mais do que apresentar o material novo, rever sucessos e redescobrir músicas aqui e acolá – o que por si só já seria sensacional -, esse novo show do Paralamas se recomenda por si próprio pela pressão aplicada no palco e pela eficiente destreza técnica de seis músicos na ponta dos cascos.

Set list completo:
1- Sinais do Sim
2- Itaquaquecetuba
3- Meu Erro
4- Lourinha Bombril
5- Capitão de Indústria
6- Uns dias
7- A Outra Rota
8- Soldado da Paz
9- Viernes 3 AM
10- O Calibre
11- Selvagem/O Beco
12- Medo do Medo
13- Saber Amar
14- Busca Vida
15- Aonde Quer Que Eu Vá
16- O Amor Não Sabe Esperar
17- Sempre Assim
18- Lanterna dos Afogados
19- Caleidoscópio
20- Olha a Gente Aí
21- A Lhe Esperar/Keep On Movin’
22- Uma Brasileira
23- Ska
24- Vital e Sua Moto
25- Alagados

Bis
26- Bundalelê
27- Teu Olhar
28- Cuide Bem do Seu Amor
29- Óculos

Paisagem do palco com o cenário da turnê do novo álbum, 'Sinais do Sim', e os telões no fundo
Paisagem do palco com o cenário da turnê do novo álbum, 'Sinais do Sim', e os telões no fundo 



Fonte: Rock em Geral

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