quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Formação assombrosa e repertório com muitos clássicos garantem up grade no thrash metal elaborado do Megadeth. Fotos: Nem Queiroz.


O líder do Megadeth, Dave Mustaine, 56, totalmente renovado com a entrada dos novos integrantes
O líder do Megadeth, Dave Mustaine, 56, totalmente renovado com a entrada dos novos integrantes


Uma banda com mais de 30 anos de carreira só consegue se manter viva com mudanças de integrantes, ainda mais quando possui um líder – o dono mesmo - com punho de aço como Dave Mustaine. O que, também, acarreta na passagem de grandes músicos e outros nem tanto, e mesmo quando os músicos são bons, nem sempre o entrosamento entre eles, a tal química, funciona. Dessa vez, contudo, a julgar pela apresentação exuberante desta quarta (1/11), no Vivo Rio, o Megadeth está com uma formação afiadíssima, digna dos tempos de ouro da banda, na década de 1990. Impressionante como o brasileiro Kiko Loureiro entrou bem no quarteto, e como o caçula Dirk Verbeuren (ex-Soilwork), último a chegar, e para o lugar do monstro Chris Adler, perfazem um combo redondinho e com a performance de palco indispensável para esse tipo de música.

Um tipo de música elaborada, com palhetadas velozes, solos na velocidade da luz e maratonas de guitarras umas após as outras, sem parar mesmo. E que fica patente já em “Hangar 18”, avassaladora música do álbum “Rust In Peace”, um dos mais emblemáticos para o thrash metal e a música pesada de um modo geral. “Megadeth! Megadeth!”, grita logo de cara o ótimo público que enche a casa, no ritmo da música, entre uma evolução de guitarra e outra, o que aconteceria mais tarde, e já tradicionalmente, na cadenciada, mas não menos pesada “Symphony of Destruction”. Que Kiko é talentoso guitarrista todos sabem, mas, aqui, e já no começo, parece com uma agressividade e espécie de gana de tocar que muitas vezes não realçava tanto no Angra, a banda que o revelou. De cara, já no início, duela forte com Mustaine, o que seria uma tônica durante toda a noite.

Mustaine e Kiko Loureiro, o guitarrista brasileiro revelado no Angra e muito bem adaptado no Megadeth
Mustaine e Kiko Loureiro, o guitarrista brasileiro revelado no Angra e muito bem adaptado no Megadeth


Chama a atenção, no meio do set list, a inclusão da dobradinha “Conquer or Die!”/“Lying in State”, as duas do álbum mais recente da banda, o bom “Dystopia”, lançado no ano passado, nem sempre incluídas – em São Paulo, na véspera, por exemplo, não rolou. A primeira, instrumental, é terreno fértil para Kiko Loureio debulhar a guitarra sem dó, e tem a primeira entrada do mascote Vic Rattlehead, em traje de robocop. A segunda ainda serve para que David Ellefson exiba toda a sua técnica em um vistoso baixo de cinco cordas. Mesmo sem ser tão conhecidas assim, elas não tiram o pique da apresentação. O disco, premiado com o Grammy de “Melhor performance heavy metal”, fornece ainda outras duas músicas ao show. A ótima e com refrão grudento “The Threat Is Real”, na qual é Mustaine o capitão dos solos, e a própria “Dystopia”, numa interpretação correta e cheia de mini duelos Mustaine x Loureiro.

O show é dividido em blocos, e só o primeiro, com quatro músicas, dura mais de 20 minutos de uma traulitada acachapante. Na parte final, a pedrada “Tornado Of Souls” e “Mechanix”, insuspeita irmã gêmea de “The Four Horseman”, do Metallica ainda com Mustaine, formam uma avalanche sonora que poucas vezes se vê, mesmo em shows de bandas derivadas do thrash. Encorpado, o som, a essa altura bem melhor equalizado, salienta as intrincadas evoluções de guitarra e mais duelos – repita-se - de Mustaine com Kiko, um sempre apostando corrida com o outro. Impressionante como Dave Mustaine, tido como centralizador, cresce um bocado com os novos integrantes, incluindo o descabelado Verbeuren, revirando os tambores como se fosse fácil atuar em velocidade extrema o tempo todo.

Dave Mustaine e Kiko Loureiro, em um dos muitos duelos em alta velocidade que acontecem no show
Dave Mustaine e Kiko Loureiro, em um dos muitos duelos em alta velocidade que acontecem no show


O único senão do show é que, embora intenso, é curto, com 90 minutos de bola rolando. Já passou da hora de Mustaine preparar uma apresentação de umas duas horas, mesmo que tenha intervalo, porque não é fácil tocar em alta performance durante muito tempo, como outras bandas que lhe são contemporâneas fazem. Aí poderia incluir músicas de discos mais recente como “Endgame” e “Thirteen”, ou mesmo pinçar outras da antigas. Mas há tempo para a incrivelmente pop e sem peso, mas ainda assim amada “A Tout Le Monde”; a deliciosamente cadenciada e pesada ‘Symphony of Destruction”, marco afetivo para os fãs; a assustadoramente pesada “Sweating Bullets”; a presença de Rattlehead outra vez, em “Peace Sells”; e, no arremate previsível, mas necessário, e com uma performance alucinante, mesmo no final, “Holy Wars… The Punishment Due”. A música, síntese da fase de ouro do grupo e uma das mais representativas do thrash metal global, é como carimbo de qualidade batido com a certeza dos sábios em mais uma página fantástica escrita pelo Megadeth.

Set list completo:
1- Hangar 18
2- The Threat Is Real
3- Wake Up Dead
4- In My Darkest Hour
5- Take No Prisoners
6- Conquer or Die!
7- Lying in State
8- Sweating Bullets
9- Trust
10- A Tout Le Monde
11- Tornado of Souls
12- Mechanix
13- Dystopia
14- Symphony of Destruction
15- Peace Sells

Bis
16- Holy Wars… The Punishment Due

O mascote Vic Rattlehead, na segunda entrada no palco, abraça Mustaine, durante 'Peace Sells'
O mascote Vic Rattlehead, na segunda entrada no palco, abraça Mustaine, durante 'Peace Sells'


Fonte: Rock em Geral 

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